Hoje não passamos de um retrato. Que, como a canção, colore a saudade que por aqui bate.
Foi no Educandário Thales de Mileto, colégio onde estudei entre 1988 e 1997, que vivi os melhores anos de minha vida.
Foi ali, numa daquelas salas, que me apaixonei pela Claudinha, minha eterna professorinha de Português. E foi ela, que me provocou a paixão pelas letras.
Ainda ouço os gritos de "RULHO", quase sempre puxados pelo Ricardo, quando entrava naquela quadra, para, modéstia à parte, virar uma muralha no gol.
Foi ali, numa despretensiosa peça infantil (e numa festa junina), que surgiu em mim o gosto pelo teatro.
Foi na biblioteca daquele colégio que sonhávamos com o vestibular e o nosso futuro profissional, enquanto rivalizávamos jogando Doom (!).
Foram naquelas salas de aula (que a cada ano apresentava uma carteira diferente para nós - individual, dupla, hexagonal...) que conheci professores inesquecíveis, como a Claudinha (ai, ai), o Dejaldo (História), a Jeannette ("com dois enes e dois tês", de Matemática), Dorva (também de História), o Saulo (de Física e mais conhecido como 'Tutankhamon', por causa do seu queixo protuberante) e tantos outros que marcaram época na minha vida.
Foi o Thales que me ofereceu o primeiro namoro, a primeira briga, os primeiros amigos, a primeira grande amizade - depois da De Paula, claro (que veio do berço dos Menezes).
Foi ali, naquela escola, que surgiu a primeira paixão. E foi ali também, que ela morreu.
Foram nas sextas-feiras que, enfileirados, todos nós cantávamos o Hino Nacional, não sem antes ouvir do "tio" Roberto, a famosa frase: "Vamos mais uma vez agradecer a Deus, com saúde, paz, alegria e prosperidade, cantando o nosso Hino Nacional..."
Foram nos embalos de sábado à noite, que, na quadra da escola, vi shows que hoje só são possíveis de serem revividos nas Festas Plocs da vida.
E, entre inúmeros outros eventos, foram nos corredores do Thales que andava com aquele que seria um dos grupos mais marcantes da minha vida, os SEVEN.
Éramos tão diferentes que acho que era por isso que o grupo ficou unido por tanto tempo. O Alex era o intelectual do grupo - o verdadeiro CDF. A Renata era, talvez, a mais misteriosa integrante daquela turma, porque (eu) pouco sabia dela, que era também de poucas palavras. O Rodrigo fazia as honras de engraçadinho - embora, muitas das vezes sua graça não tivesse tanta graça assim... A Kátia talvez fosse a menina romântica da tribo, com aquela carinha de boneca de porcelana. O Joca era, sem dúvida, o que tinha os maiores talentos artísticos do grupo, além de ser, de fato, o mais cara-de-pau de todos nós. A Raquel era o toque de esoterismo da nossa sociedade - e era, também, a melhor (e mais antiga) amiga deste Jc, que agora não consegue se definir como o último membro deste inesquecível grupo.
Claro, as afinidades eram maiores com uns do que com outros, coisa normal de todos nós, ainda mais em se tratando de adolescentes. Mas, mesmo com nossas diferenças, tivemos muitas histórias - que hoje remontam aqueles tempos com cores vivas.
E então, hoje, após reencontrar a Raquel depois de anos de hiato em nossa amizade, eu me teletransportei para aqueles bons tempos vividos (especialmente os últimos quatro anos) e, vestindo aquela blusa azul e branca do Educandário passeei novamente pelos corredores e salas de aula, ouvindo, ainda, o coro de "Rulho" sendo entoado...
Bons tempos aqueles. E os laços invisíveis que havia, ficarão para sempre guardados aqui e me dão a certeza cantada pelo Leoni: EU FUI FELIZ.
Jc Menezes
Registro de parte dos SEVEN, num dos últimos dias de aula no Thales:
Katita, Rodrigo, Jc, Alex e Raquel e uma amizade inesquecível!